A deriva...
Produzido pela empresa especializada em jogos de terror DarkWorks, Cold Fear pode ser descrito como um Survival Horror da nova geração mas que mantém a base dos antigos títulos, eliminando um pouco da ação e voltando-se mais em assustar os jogadores. Apesar de não ser um título de peso, fãs do estilo iram satisfazer a vontade de jogar um título que relembra as desesperadas lutas pela sobrevivência que títulos como Resident Evil e Alone in the Dark proporcionavam.
Em mar aberto...
Já no inicio do game o jogador percebera que o local da aventura é no mínimo diferente de jogos no estilo. Após uma mal fadada infiltração de soldados SEAL em um baleeiro russo de nome Eastern Spirit que pediu por socorro, a guarda costeira americana envia uma nova equipe para investigar o que esta acontecendo no navio que sofre com as poderosas ondas do estreito de Bering. Junto à equipe encontra-se o antigo soldado que agora trabalha para a guarda costeira, Tom Hansem, o qual o jogador assumira o controle.
Logo após embarcarem no navio novamente a equipe é dizimada, restando apenas a Hansem investigar os misteriosos acontecimentos que assolam o navio. Essa é a premissa para um game de terror que coloca o jogador em um dos mais isolados locais já vistos em títulos do estilo, onde o jogador percebera que a tripulação se tornou criaturas mutantes comedoras de carne contaminadas com estranhos parasitas chamados de Exocell e que os sobreviventes russos, além de quererem destruir os monstros não darão boas vindas ao agente Hansem.

Cold Fear tem inicio em um barco no meio de uma tempestade
Variando a câmera...
Como já é uma tendência, os novos games de Survival Horror seguiram a evolução do sistema de câmeras de RE4, colocando a visão do jogador nas costas do personagem. Mas em Cold Fear vemos a perfeita mistura deste novo modo de visualização como também as antigas câmeras de tomadas fixas, dando um ar tanto sombrio como o de ação e pânico. Enquanto o jogador apenas anda pelo cenário as tomadas de câmeras vão mostrando o personagem de diferentes ângulos em tomadas fixas mas com movimento, só que a partir do momento que o jogador aciona a mira da arma a câmera imediatamente se localiza nas costas do personagem. Apesar de ser muito interessante essa troca de câmeras, como o personagem pode andar com a arma em punho, na maior parte da aventura a câmera estilo RE4 será a escolhida para que o jogador não seja surpreendido pelas rápidas criaturas do jogo.
Vindo das profundezas...
Como todo bom game de terror, Cold Fear possui inimigos muito legais e bem assustadores. A sua grande maioria consiste nos tripulantes do barco e dos outros locais do game infectados por um parasita descoberto pelos próprios russos. A técnica para elimina-los consiste basicamente em destruir a cabeça dos inimigos, mas aqui vem um detalhe, desta vez será necessário estourar literalmente a cabeça das criaturas ou elas sempre se levantarão e voltarão a atacar. Estas criaturas são rápidas e podem se utilizar de alguns armamentos para tentar matá-lo.
Outros monstros também são encontrados no decorrer do jogo e cada um deles possui um ponto fraco que varia de um local específico do corpo como até o tipo de armamento utilizado contra eles.
Como se não bastasse as horrendas mutações, Hansem terá de enfrentar os soldados russos sobreviventes em tiroteios e ainda destruir corpos de mortos para que não voltem a vida repentinamente em um jogo gore e cheio de visceras.
Clima de arrepiar...
A empresa DarkWorks foi a responsável no passado pelo desenvolvimento do quarto episódio de Alone in the Dark, que conseguiu criar um dos melhores climas de suspense já visto em games do estilo. Aqui não é diferente. Independente do cenário e das criaturas, como já é de costume da empresa, o game possui um clima de terror clássico, trabalhado desde os efeitos sonoros assustadores bem como efeitos que fazem o jogador se sentir solitário e apreensivo na aventura, como raios adentrando salas escuras e pequenos sustos em locais onde não se espera. Simplesmente genial.
Gráficos e Movimentação decepcionam...
Apesar do clima de terror clássico visto no game e das maneiras divertidas de se eliminar as criaturas do jogo, o game peca na parte gráfica e na movimentação do personagem. Nem tanto por parte dos cenários, que são muito criativos e bem construídos, mas todos os personagens do game, criaturas, personagens secundários e até mesmo o protagonista, não possuem uma modelagem boa lembrando até gráficos vistos nos games do PSOne. A movimentação dos personagems também desagrada com inimigos com movimentos robóticos e uma péssima movimentação do herói, que parece ter feito xixi nas calças pelo andar curto e falso.
As animações do game parecem de qualidade pela cena de abertura, mas tudo desanda no meio do game, com cenas em CG de péssima qualidade que novamente lembram um título do PS1.

A originalidade do game diverte mas seus fracos gráficos não
Dificuldade elevada...
Além das criaturas enfrentadas no game, Hansem terá um inimigo natural para enfrentar. Possuindo dois grandes cenários principais, um navio e uma plataforma de petróleo, a maioria dos locais visitados sofre pelo impacto das fortes ondas do oceano. Constantemente o jogador devera cuidar para não acabar caindo do cenário por conta do chacoalhar que as ondas do mar causam no cenário, além de ter de manobrar a mira de forma a compensar a movimentação do cenário para conseguir os preciosos tiros certeiros.
Além do constante movimento do cenário o jogador algumas vezes terá de escapar de poderosas ondas e cuidar para não se eletrocutar até a morte em locais com curto circuito inundados por água.
Detalhes...
Apesar da fraca modelagem dos personagens, o game ganha em cenários bem grandes e abertos mas principalmente nos efeitos de água do game e ainda na perfeição das ondas do mar que deixa o jogador realmente dentro de uma tempestade marítima. A constante chuva e o mar bravio serão companheiros de Hansem ao longo da aventura e um excelente efeito de respingos na tela do jogador impressionam, pois variam de quantidade com a velocidade e direção do vento bem como escorrem de uma maneira muito natural na câmera, e não é apenas a água. Ao se abrir fogo ou estourar os miolos de alguma criatura a alguns metros de você, o sangue respingara de uma maneira sensacional e grotesca na tela.
Os efeitos de sombra também são de qualidade e auxiliam para montar o clima de terror da sangrenta aventura.
Objetivos claros...
Na grande maioria da aventura o jogador encara enigmas simples que consistem em apenas encontrar uma chave ou algum item para ser usado imediatamente. O bom de Cold Fear é que a aventura tem um tamanho muito bom com a história e os objetivos do jogador muito bem distribuídos não deixando o jogador se enjoar de prosseguir.
Como todo bom Survival Horror os arquivos abundantes no game fornecem dicas e explicam a história dos acontecimentos que iniciaram este pesadelo.
Dificuldade ainda maior?!...
Se já não bastasse às dificuldades já listadas o jogador terá problemas em prosseguir justamente por uma dificuldade imposta pela própria movimentação falha do personagem e o sistema de saves da aventura.
Em alguns pontos do jogo o jogador precisara ter experiência nos controles de movimento do personagem para evitar perigos, mas a falta de uma movimentação natural, apesar de responder de forma eficiente, faz com que o jogador morra muitas vezes por cair de pontes ou não conseguir evitar o encontro com criaturas e outros perigos impostos no caminho.
Logo no inicio da aventura o jogador ira se perguntar como se salva o jogo. Este é um ponto terrível em um jogo de terror, pois o jogador jamais saberá em que sala poderá salvar o progresso. Apenas em alguns locais, geralmente antes te algum evento ou ataque, o jogador será questionado se quer ou não salvar, mas o problema surge quando o gamer passa por um local difícil ou um tiroteio e não pode salvar para não precisar repetir tudo o que já fez caso venha a morrer.
A falta de um mapa dos locais visitados também dificulta, pois auxilia o jogador a se perder nas numerosas salas visitadas, o personagem consegue traduzir do russo o local a ser visitado pelo nome nas portas, mas quando é preciso retornar a algum lugar mais longe o jogador terá de puxar pela memória.

Combates criativos e muito sangue aguardam jogadores antigos do gênero
Diversão nos combates...
Mas como tudo não poderia ser ruim, o arsenal do jogador e as vidas espalhadas pelo cenário são limitadas, mas existe algumas salas onde o jogador pode coletar suprimentos sempre que precisar, ou até mesmo roubar munição e vida de soldados mortos pelo caminho.
Outro ponto bem divertido é que existem vários extintores, caixas de luz ou canos de ar que podem ser atingidos para que cause danos mortais nas criaturas.
O personagem também possui um movimento que de reação ao ser agarrado por algum monstro. Apertando-se os comandos mostrados na tela o personagem consegue se desvencilhar do inimigo e ainda acertá-lo com um tiro certeiro.
Trilha sonora boa VS Dublagem ruim...
O game possui ótimas musicas que fazem o jogador tanto entrar no clima de terror do game como imediatamente mudam para musicas mais rápidas ao se surgir um inimigo no cenário. A troca da música ajuda tanto a criar o clima para a matança como para saber se ainda existem inimigos no local.
Já as dublagens é outro ponto fraquíssimo do jogo. Dublagens pobres e sem emoção tornam as conversas entre os personagens robóticas e chatas, com falas simples e clichês.
Ao se terminar a aventura...
O game libera artworks muito legais nos bônus do game ao jogador completar alguma parte do game, mas, possuindo um final ruim e bem curto, estes artworks são a única coisa que o jogador ganhará ao se finalizar o game.
Cold Fear consegue ter muitos pontos positivos como o equivalente a negativos. Quem curtir uma ótima aventura de terror com cenários e criaturas horripilantes e maneiras divertidas de matá-las ira curtir Cold Fear até o final. Já quem procura um game de terror com ótimos gráficos e muito bem feito não passará mais que cinco minutos na frente do jogo. Uma coisa é certa, com muita criatividade Cold Fear talvez seja um dos últimos games que realmente trazem um terror literal ao jogador, e não Survival Panics que tentam assustar o jogador apenas com a quantidade de inimigos por tela.