
Enredo interessante, mas só no inicio...
O ano é 2034 e é feriado de natal. Lana embarca no metro que no meio do trajeto descarrila e tudo se torna uma tremenda bagunça. Quando ela acordar, o mundo inteiro parece ter mudado. Seus cidadãos se transformaram em zumbis, e as autoridades estão em sua cola por razões desconhecidas. Mas o seu maior inimigo não é um zumbi ou um soldado, mas sim um vírus dentro de você. Lana foi infectada e deve lutar para evitar transformar-se em um zumbi. O objetivo: fazer o seu caminho para um hospital, onde se espera que tenha tratamento para esse vírus mortal.
Embora o enredo seja interessante no inicio na maior parte do tempo a historia trava, nada de “extraordinário” acontece e para quebrar mais o clima a coisa toda se desenvolve muito devagar e como o jogo é curto fica aquela frase no final: “tá bom, e ai?”.
As protagonistas conseguem passar um pouco de emoção para o jogador, a situação na qual Lana foi colocada caiu como uma luva deixando o jogador com o sentimento de preocupação em machucar a pequena Amy, enquanto outras entidades querem acabar com elas.
A cada capitulo que passa sua única motivação no enredo é a curiosidade de como tudo vai acabar para Lana e Amy, pois todo o resto é contado de forma remota e relaxada. Com o passar do tempo você já não sabe se quer desligar o console ou continuar pois todo o núcleo da historia acaba se desgastando com a notável falta de criatividade no decorrer da trama.
A falta de detalhes desanima MUITO!
Tudo é muito simples, desde efeitos de luz até os detalhes nos cenários, seja na parede ou nos objetos. Mas AMY peca imensamente nos detalhes que fazem à diferença, estruturas metálicas e vidros não têm reflexo algum, os tiros não deixam nem mesmo uma marca na parede e os cenários não fazem questão alguma de agradar tanto para apreciar quanto para envolver o jogador.
As animações também não agradam. Movimentações robóticas com texturas simples desanimam o jogador por diversas vezes. As protagonistas, apesar de bem modeladas, ainda passam a sensação de ser uma boneca de plástico se movimentando, com expressões empolgantes passando um sentimento um pouco mais profundo para o jogador em certas cenas.
Zumbis mais uma vez...
Parece que zumbis viraram tema “padrão” para jogos e filmes de terror hoje em dia, a falta de criatividade para criação de inimigos é tamanha que faz de AMY apenas mais um jogo com inimigos que muitos não agüentam mais ver na frente. O que diferencia os zumbis tradicionais que estamos acostumados a ver com os de AMY é que eles tem uma marca brilhante na testa (não, não é uma estrela de bom comportamento), ainda que o mistério não seja lá grande coisa é um elemento bem curioso.
O design dos monstros no geral é bem semelhante com o que você já está acostumado a ver em séries como “The Walking Dead” ou jogos como “Resident Evil”. A verdade é que com o tempo você acabará enjoando dos inimigos que por muitas vezes se repetirá ao decorrer do jogo com designs ultrapassados.
Tudo tem que ser friamente calculado
Seja no combate ou na coleta de itens, todo tipo de ação que você fizer tem que ser friamente calculado, e não, não é exagero. Para coletar um simples item do chão você deve estar em um ângulo MUITO estratégico, nunca se esqueça de certificar se os pixels estão alinhados.
O jogo manda o jogador fazer diversas coisas, mas os controles raramente ajudam. Em vários momentos você passará raiva, seja naquela situação difícil na qual tudo tem que estar funcionando perfeitamente ou naqueles calmos momentos onde a exploração é o maior foco. Não importa a situação, os comandos não obedecem seja na ação mais simples ou complexa parece que você está passando por um teste de paciência e acredite por muitas vezes você poderá ser reprovado.
Amy é mais esperta do que parece...
É impressionante a quantidade de coisas que a pequena Amy pode fazer, apesar de pequena, frágil e MUITO curiosa à garotinha pode hackear um computador, alertar o jogador que existem inimigos próximos e passar por pequenos buracos para coletar itens. Os sistemas funcionam bem, mas por muitas vezes você se questionará do porque Lana fica com os braços cruzados enquanto Amy está fazendo todo o trabalho, e pior, muitos dos lugares em que só Amy pode passar Lana caberia facilmente sem esforço algum.
Outra frustração é que Amy não obedece quando você a chama para perto, a pirralha passa a irritar muito depois de certo tempo com sua curiosidade. Não me surpreenderia se por acaso seu vídeo game ou computador fosse “derrubado” na parede “acidentalmente” com tanta frustração com os controles.
Mortes injustas atrapalham ainda mais a aventura...
Talvez essa seja a pior parte de todas, não importa o quão esforçado você seja, se você estiver no meio de um combate você tem que rezar muito para um comando funcionar do jeito que você quer, e não adianta ajoelhar no chão xingando Deus e o mundo que você não irá conseguir nada.
O sistema de esquiva é lamentável e praticamente desnecessário porque você muitas vezes não conseguirá nada com ele. Você poderá morrer várias vezes até matar um inimigo, um simples inimigo! Tudo porque até você acertar ele (se você conseguir acertar) provavelmente estará próximo do “game over” com a tela toda avermelhada que atrapalha ainda mais a jogatina.
E se por acaso você estiver andando pelo cenário e um soldado te ver, diga adeus. Não importa o que você faça, não adianta tentar se esconder, o fim é iminente.
Você morrerá muitas e muitas vezes no jogo por descuido da equipe de desenvolvedores e não por sua culpa, mas se você não se frustrar com as mortes desnecessárias que ocorrem praticamente o tempo todo a tela de Load dará uma manzinha para você. Sim os Loads são lentos mesmo para um jogo arcade, lembra até mesmo Resident Evil: Outbreak (PS2). Até hoje não entendi o motivo de loads tão longos, realmente bizarro.
Vai e vem sem fim e nada de sustos!
É engraçado você anda pelo cenário sem saber o que está acontecendo, com a historia se desenvolvendo lentamente, alguns diriam que ela nem se desenvolve. Não importa o vai e vem sem fim com seringa pra cá, seringa pra lá te deixará irritado e como se não fosse pouco os puzzles em sua maioria são chatos e repetitivos, isso porque você terá de repetir o mesmo puzzles diversas vezes.
A parte em que mais me motivou a comprar este jogo foi pela promessa de “revolucionar o mundo dos jogos de terror”, uma frase muito ousada que não passa de propaganda enganosa para o jogador que busca terror e muitos sustos. Não espere que este jogo traga algum tipo de pesadelo ou imagem/som aterrorizante, faça um favor a si mesmo e compre “pac-man” ele provavelmente colocara mais medo em você do que AMY, acredite.
E as musicas onde ficam?
O som ambiental é fraco, mas para um jogo que tem tantos aspectos ruins isso já não é novidade, as musicas genéricas chegam a ser muito enjoativas e como se não fosse muito elas ainda se repetem ao longo dos capítulos.
Já a dublagem de Lana é aceitável, ainda que existam muito trabalhos superiores ela não deixa tanto a desejar, o mesmo para a pequena Amy. Todo o resto pode-se dizer que é “resto” mesmo.
Comentários finais
Para um jogo que prometeu tanto fez muito pouco. Gráficos ruins, ambientação péssima, gameplay ridículo e história fraca, fazem de AMY a primeira decepção dos jogos de terror em 2012. Certamente minha curiosidade e sede por um jogo de terror bom em nível de Fatal Frame ou Dead Space me fez ignorar qualquer crítica que eu tenha lido em diversos websites, afinal como um jogo pode ser tão ruim? Infelizmente não terei meu dinheiro de volta, e para você que quer matar a curiosidade esteja ciente que AMY pode sair mais caro do que você possa imaginar, eu mesmo não sabia que meu console podia voar.