Fazer um Review de um game que já foi lançado para o Xbox 360 e tempos depois relançado dentro do PlayStation 3 é meio complicado, mas não se assuste, o resultado final não foi como na maioria das adaptações (um lixo), muito pelo contrário, Star Ocean: The Last Hope ficou muito bonito.
Uma das coisas no game lhe chamará atenção de cara é a modelagem do cenário. Um mundo muito bonito, com detalhes incríveis. Realmente uma arte gráfica no cenário que é de se tirar o chapéu. Isso não é diferente dos personagens, que foram maravilhosamente bem modelados e ficaram muito bonitos, mas as animações responsáveis pelas expressões deles deixam muito a desejar, em alguns personagens, a falta de emoção é gritante! Lymle, uma pequena garotinha com habilidades de usar simbologia (como são chamadas as magias no game) é a principal vítima da falta de animação nas expressões faciais, o olhar dela não muda em momento algum, nem quando está chorando, nem quando está pulando de alegria, ou seja, uma (bizarra) boneca de porcelana (boneca sim, pois a modelagem da personagem é realmente linda).
Falando agora um pouco do sistema de batalha, esse com certeza é um dos melhores atrativos do game. O sistema foi desenvolvido para deixar você cada vez com mais e mais sede de batalha, mesmo depois de 40 horas de games, você quer evoluir seus personagens mais e mais, isso tudo por que o sistema, além de ser em tempo real, ficou muito detalhado, dando ao gamer opções que outros RPGs em tempo real não oferece, como enganar um inimigo desviando-se para as costas dele (técnica no game conhecida como BlindSide e que te ajudará muito durante as batalhas), assim como contra-atacar um BlindSide de um oponente. Você ainda pode desviar de várias maneiras (cada personagem tem uma forma em particular para se desviar de um inimigo), jogando-se para alguma direção, rolando, ou pulando.
Outro sistema adicionado as batalhas é Bonus Board que aumentam seu HP e MP, aumentam o Gil (dinheiro do game), Elevam os pontos de experiência recebidos durante a batalha e por ai vai, mas para deixar você irritado, esse bônus board pode ser “quebrado” pelos seus inimigos, recebendo um ataque crítico com o personagem que você está controlando, por exemplo.
No Bonus Board, pedras de diversas cores são ganhas durante a batalha e cada cor irá ser responsável por algum tipo de ganho, para receber existem várias maneiras, o uso do Blindside, por exemplo, lhe garante as pedras azuis, responsáveis por elevar seus pontos de experiência ao final da batalha. As pedras no Bonus Board só terão efeitos após o término da batalha e com quantas você terminar, se perder suas pedras no meio da batalha, ao final dela elas não terão efeitos sobre os resultados, é necessário ganhar novas pedras para ter efeito no Bonus Board.
Os controles dentro do sistema de batalha são realmente magníficos e muito detalhados, os efeitos visuais criados para os ataques, especiais e magias (simbologia) ficaram muito bem trabalhados.
Os seus inimigos são vários, durante todo o game e todos muito bem trabalhados, não só na modelagem e na textura, mas nos ataques e nas estratégias que os mesmos usam contra você.
Quando se trata dos chefões, o game também não deixa a desejar e traz modelagens incríveis e estratégias muito bem elaboradas.
Fora das batalhas, o sistema não deixa a desejar novamente e traz interatividade com entre o personagem e o meio ambiente em que ele está, onde é possível extrair matérias (itens) de roxas e colher diversos ingredientes (itens e ingredientes) do meio de mato, árvores e plantas, isso tudo para se forjar diversos itens, entre armas, armaduras, cartas e alimentos.
A interatividade com o cenário vai mais longe e traz passagens e baús que só podem ser abertos com determinados tipos de anéis, que você pode coletar durante o game e o poder dos mesmo não é ilimitado, forçando o gamer a encontrar uma fonte para reabastecer estes anéis (no caso do Lightning Ring), ou pessoas (no caso dos demais anéis).
Você pode interagir com o meio ambiente
A interatividade com os itens chama muita atenção, mas é muito complicado de se obter bons itens deste sistema, já que os bons são criados através de outros itens considerados raros e muito difíceis de se encontrar, por tanto, se você quiser gastar muitas horas correndo os diversos planetas de Star Ocean atrás de itens raros, fique a vontade, pois isso será necessário, ou caso contrário, você não conseguirá forjar tais itens.
A forma de se obter habilidades é bastante simples e bem clássica, você atinge leveis maiores para obter melhores habilidades, isso mantém o gamer jogando até os personagens chegarem ao máximo de sua evolução.
Em Star Ocean: The Last Hope, para gamers que curtem JRPG em tempo real e buscam por pura diversão, este é com certeza o game certo, mas se você tocar na história, bem, digamos que o game poderia ter sido melhor trabalhado.
Lotado de clichês japoneses do início ao fim, Star Ocean: The Last Hope, não chega a decepcionar, mas irá te irritar muito, em especial Edge Maverick, o personagem principal do game, o protagonista, que é capaz de fazer um drama gigante, por ter matado um pequeno mosquito “inocente”.
Edge tem como sua melhor amiga, Reimi Saionji, que o conhece desde pequeno e Reimi esconde um segredo a anos de Edge, a verdadeira origem dos dois (não irei entrar em detalhes, a história realmente é boa, bem pensada, só ignorar os clichês e algumas coisinhas a mais que deixará você BEM irritado) e sim, neste momento, o drama de Edge poderia vir a tona, como numa novela mexicana (“Carlos Alfredo! Como pôde?”, “Maria Solar! Me perdoe! Eu... Eu... EU TE AMO!”), mas não, ele não faz isso e fica fazendo drama por uma boa parte do game, mas acalme-se, chegará a hora que Edge levará uns bons “tapas na cara” e voltará ao normal. E não, o resto dos personagens são normais e não fazem o drama que o Edge faz.
Já que tocamos no drama e na história, vamos falar sobre as dublagens, que começam bem, mas na metade do game pra frente, você começa a ver alguns deslizes e no final dele é realmente ruim, muitas partes dessincronizadas, sem contar com a falta de habilidade na dublagem de alguns personagens, a Lymle novamente é vitima nessa parte do game, ela realmente tira qualquer um do sério com o seu irritante “‘kay” No final de quase todas as frases, mas na história, ela tem um importante papel.
Um detalhe importante sobre os cenários, eles são bonitos, mas muitos deles podem te tirar do sério, pois farão você ir e vir dezenas de vezes, subindo, descendo, passando pelos mesmos lugares, vendo as mesmas coisas e as vezes os cenários possuem os mesmo formatos, tornando o trajeto por dentro deles irritantes.
Um outro problema sério no game é falta de save points. Apesar de você ter um save point e um restore point (parecido com o save point, mas serve exclusivamente para recuperar HP e MP de seus personagens, isso não inclui os status negativos que eles tiverem) antes de cada chefão, a distancia entre eles é muito grande e por diversas vezes você sentirá falta de um save point por perto, não vou nem comentar sobre a falta de restore point, pois são mais escassos ainda.
Os efeitos sonoros ficaram bem trabalhados, as trilhas sonoras também, com exceção da música de batalha, que pode cansar seus ouvidos por ser da época da primeira temporada de Power Rangers, mas no mais, as músicas ficaram muito boas.
Não espere de Star Ocean: The Last Hope um game revolucionário e nem mesmo moderno, muitas coisas nele puxam o JRPG clássico, mas tudo muito bem trabalhado (claro, não incluindo a história e a dublagem, o resto realmente foi muito bem trabalhado).
O game garante horas e horas de diversão aos que procuram um game para distração, mas pode decepcionar um pouco a gamers de primeira viagem na saga Star Ocean, que possui um ótimo enredo.
Personagens, oponentes, armas e cenários bem modelados e sistemas com alto nível de interatividade ajudarão a manter você ligado no game e claro, que tudo isso garante sim um replay tranquilamente.
É um jogo que realmente eu recomendo. ![]()